Banco Central adota cautela e aguarda dados para definir rumos da Selic
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (18) que a instituição monetária segue estritamente “dependente de dados” para definir os próximos passos da taxa Selic. A comunicação oficial tem evitado dar indicações futuras, buscando não criar expectativas precipitadas no mercado.
“Não há portas fechadas, nem setas dadas”, declarou Galípolo durante a coletiva de apresentação do Relatório de Política Monetária. A declaração reforça a postura de prudência adotada pelo BC diante do cenário econômico atual, priorizando a coleta e análise de informações antes de qualquer decisão.
A estratégia de acompanhar de perto os indicadores econômicos tem se mostrado benéfica, segundo o diretor de Política Econômica, Diogo Guillen. A instituição projeta uma desaceleração da atividade econômica nos próximos trimestres e mantém o foco em manter a inflação “ao redor da meta”, atualmente em 3%.
Projeções do BC e cenário econômico
O Relatório de Política Monetária, divulgado mais cedo pelo Banco Central, apresentou revisões nas projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Para 2025, a expectativa de alta passou de 2,0% para 2,3%, enquanto para 2026, a estimativa subiu de 1,5% para 1,6%.
No que diz respeito à inflação, a projeção para 12 meses é de 3,2% no terceiro trimestre de 2027. Este período se tornou um marco importante, pois a partir de janeiro, será a referência central para a política monetária. Embora ligeiramente acima do centro da meta de 3%, a projeção indica um controle gradual.
Indicadores de atividade e mercado de trabalho
Dados preliminares do quarto trimestre deste ano apontam para uma continuidade na moderação da atividade econômica no Brasil. O diretor Diogo Guillen destacou que o mercado de trabalho também começa a apresentar sinais incipientes de desaceleração, o que corrobora a visão de um cenário econômico em processo de ajuste.
Galípolo reiterou que não existe um gatilho específico que obrigue o Banco Central a cortar os juros. A decisão dependerá da avaliação conjunta de uma série de fatores econômicos, mantendo a flexibilidade e a dependência de dados como pilares da política monetária.
O horizonte de 2027 e a meta de inflação
O terceiro trimestre de 2027 ganhou destaque no mercado financeiro como um período chave para a política monetária. A partir de janeiro, ele se tornará a principal referência para as decisões do Banco Central, influenciando as expectativas sobre a trajetória futura da taxa Selic.
A meta de inflação em 3% continua sendo o objetivo central do Banco Central. As projeções mais recentes indicam que a inflação em 12 meses pode atingir 3,2% no terceiro trimestre de 2027, demonstrando a necessidade de monitoramento constante e ajustes na política monetária para garantir a convergência para o centro da meta.
Cautela e comunicação do Banco Central
A comunicação do Banco Central tem sido marcada pela clareza sobre a sua dependência dos dados, evitando compromissos futuros e mantendo a flexibilidade. Essa abordagem visa a garantir a credibilidade da instituição e a eficácia de suas ações para o controle da inflação.
A estratégia de “data dependency” permite ao BC responder de forma ágil às mudanças no cenário econômico, ajustando a taxa Selic conforme necessário para atingir seus objetivos de estabilidade de preços e crescimento sustentável.