Tesouro Nacional autoriza empréstimo de R$ 12 bilhões aos Correios com garantia estatal
O Tesouro Nacional deu o aval para uma importante operação de crédito destinada aos Correios. A estatal receberá um empréstimo de R$ 12 bilhões, com a **garantia da União**, junto a cinco instituições financeiras. A decisão, anunciada nesta quinta-feira (18), visa auxiliar no reequilíbrio financeiro da empresa e no pagamento de suas obrigações.
A medida segue as diretrizes do Tesouro Nacional, que estipulou limites de juros para operações com aval da União. Os Correios apresentaram um plano de reequilíbrio econômico-financeiro aprovado pelas instâncias competentes, atendendo aos requisitos de análise de capacidade de pagamento para estatais.
O Ministério da Fazenda informou que o Conselho Monetário Nacional criou um sublimite específico para esta operação, no valor de R$ 12 bilhões. Este montante, próximo ao sinalizado anteriormente pelo ministro Fernando Haddad, viabiliza a execução do empréstimo. Conforme a Fazenda, a criação do sublimite não gerará despesas para o Tesouro nem afetará a meta de resultado primário do governo federal. A informação foi divulgada pelo Tesouro Nacional.
Detalhes da Operação e Participação Bancária
A operação de crédito respeitou o limite de taxa de juros estipulado pelo Tesouro Nacional para operações com o aval da União. Segundo informações de pessoas a par da operação, os juros serão de **115% do CDI**, com um período de carência de três anos e prazo total de 15 anos. O empréstimo contará com a participação de cinco bancos: Caixa, Bradesco e Banco do Brasil emprestarão R$ 3 bilhões cada, enquanto Itaú e Santander contribuirão com R$ 1,5 bilhão, cada um.
Impacto Financeiro e Plano de Reestruturação dos Correios
Os Correios registraram um **prejuízo de R$ 6,05 bilhões** de janeiro a setembro deste ano, com projeções de que este valor possa atingir R$ 10 bilhões em dezembro. A estatal buscava inicialmente um empréstimo de R$ 20 bilhões, mas o Tesouro reprovou os juros inicialmente propostos. O valor de R$ 12 bilhões, embora menor que o previsto no plano de reestruturação que visa cobrir obrigações até dezembro de 2026, oferecerá fôlego financeiro para a empresa.
Com os recursos, os Correios pretendem quitar uma dívida de R$ 1,8 bilhão, regularizar pagamentos com fornecedores, financiar um programa de desligamento voluntário (PDV) e realizar investimentos para recuperar participação de mercado e desenvolver novas fontes de receita. O Tesouro Nacional supervisionará, juntamente com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, os pontos contratuais a serem negociados.
O Futuro dos Correios: Lucratividade e Desafios
Para retornar à lucratividade em 2027, os Correios precisam passar por uma **reestruturação significativa**, que envolve um ajuste orçamentário anual entre R$ 6 bilhões e R$ 8 bilhões, combinando cortes de gastos e aumento de receitas. Analistas consideram este um objetivo extremamente desafiador. Em comunicado aos empregados, os Correios anunciaram que o pagamento do 13º salário ocorrerá nesta sexta-feira, 19, um esforço adicional em um momento desafiador para a empresa.
O governo Lula já havia editado um decreto permitindo que estatais não dependentes em dificuldades apresentassem planos de reequilíbrio, com possibilidade de aportes do Tesouro. A criação do sublimite de crédito, conforme a Fazenda, não representa despesas adicionais para o Tesouro nem impacta as metas fiscais do governo federal.